Do ponto de vista histórico, o homem primitivo tinha uma relação natural com o ambiente, com a natureza que o rodeava, com as plantas e com os animais.Conheciam quais plantas eram venenosas, medicamentosas e alimentares, e desenvolviam a partir da planta nativa culturas de plantas alimentares. Só caçavam e pescavam a quantidade suficiente para a subsistência. Existia, portanto uma harmonia entre o homem e a natureza. Nos dois últimos séculos, o homem foi perdendo, cada vez mais seu instinto natural, criando-se assim, a insegurança quanto à alimentação e à cura.

A percepção natural foi substituída pela pesquisa científica, que no decorrer do tempo, foi se aprimorando cada vez mais (BURKHARD, 1995), que trouxe benefícios tecnológicos indiscutíveis, mas por outro lado, uma desconexão do homem contemporâneo com a sua própria natureza, interferindo gravemente em sua escolha intuitiva de hábitos alimentares salutares, compatíveis com a sua individualidade biológica. E como é entendida a nutrição nos dias de hoje? Cabe ressaltar que o paradigma atual de saúde, utilizado em várias profissões dessa área, incluindo a nutrição desenvolveu-se com base na visão materialista-mecanicista da vida, na qual os organismos vivos são considerados “máquinas” físico-químicas. Acreditava-se que todos os fenômenos da vida, incluindo a nutrição, podiam ser explicados exclusivamente pela física e pela química vigentes (COUSENS, 2011). A fisiologia alimentar introduzida por Lavosier, Claude Bernard e Liebig classifica a substâncias alimentares em proteínas, gorduras, carboidratos, vitaminas e minerais, o que produziu avanços consideráveis nas pesquisas dos nutrientes. Apesar do paradigma materialista-mecanicista ter alcançado sucesso na compreensão da estrutura molecular dos nossos alimentos e do nosso corpo, os resultados de pesquisas atuais sobre hábitos alimentares e o surgimento de doenças e ou disfunções, nos conduzem a pensar que se faz necessário incluir nos futuros estudos outras disciplinas, que incluam sabedorias milenares e de povos nativos que possam melhor compreender mecanismos de reconexão do homem com sua verdadeira natureza, assim como possam pensar em estratégias de intervenção que auxiliam na promoção de saúde e, não somente na prevenção de agravos ou tratamento de doenças, compatíveis com o mundo contemporâneo. Utilizando-se desse pressuposto, a Nutrição Integrativa considera que o alimento é uma força dinâmica que interage com os seres humanos nos níveis corpóreo e físico, no mental e emocional, no social e, principalmente ao nível espiritual.

Referências

BURKHARD, G.K. Novos caminhos de Alimentação. São Paulo: CLR Balieiro, 1995

COUSENS, G. Nutrição Evolutiva. 1ª ed. São Paulo: Alaúde; 2011.