Antroposofia vem do grego: Antrophos, homem e Sophia, conhecimento ou sabedoria. Este sistema constitui uma ciência espiritual, baseando-se em teorias e evidências científicas, mas também buscando o caminho da compreensão da natureza humana e da expansão da consciência, explorando a relação do ser humana com a natureza e o cosmos (Azevedo, 2012). A Medicina Antroposófica tem suas bases nas teorias propostas pelo filosofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925). Steiner elaborou a imagem do ser humano segundo corpo, alma e espírito e suas inter-relações, dando inúmeras diretrizes práticas nestes campos.

O que na realidade nos nutre?

Segundo Steiner, Não comemos apenas o que vemos materialmente e com os nossos olhos; comemos também o espiritual que se esconde através dessa matéria “ingerindo este ou aquele alimento entramos em com o substrato espiritual que se encontra por trás do objeto material”.

A Antroposofia observa o ser humano como sendo constituído de corpo físico, corpo vital, alma e espírito (tetramembração), fazendo com que seja necessário adequar o consumo alimentar em todos estes aspectos (Coury, Silva,Azevedo, 2007).

Na Medicina Antroposófica os cereais são relacionados aos dias da semana, aos elementos da natureza, aos astros e aos povos, numa visão cultural e astrológica.Também é valorizado o ritmo na alimentação, ou seja, o organismo humano funciona de acordo com o ritmo de seus sistemas respiratório, circulatório, digestório e hepático. Dessa forma, a arritmia significa para a MA o desequilíbrio. Além disso, outros ritmos relacionados ao ser humano são observado como noite/dia, estações do ano, ciclos lunares, ritmos planetários e das estrelas, ciclos da vida, ciclo menstrual, gestação (Azevedo, 2012; Coury, Silva, Azevedo, 2007).

Na dieta antroposófica, são enfatizadas a origem integral e biodinâmica dos alimentos, sua vitalidade, a diversificação de todos os vegetais, e a prática lactovegetariana, considerando a retirada da carne como uma escolha individual, normalmente envolvida com aspectos de desenvolvimento espiritual.  Para a Nutrição Antroposófica, os alimentos de origem vegetal são constituídos de pura energia vital, enquanto que aqueles de origem animal representam que parte da energia vital presente nos vegetais já foi consumida por eles (Azevedo, 2012).

Os alimentos proteicos de origem animal, o sal marinho, o açúcar mascavo e as leguminosas são incluídos na dieta de acordo com as características individuais do individuo, não sendo levados em conta somente seus valores nutricionais. A exclusão das carnes, por exemplo, é uma opção individual, que embora seja recomendada nesta abordagem, deve respeitar o momento e desejo do paciente (Azevedo, 2012). Para Rudolf Stenier o abuso de proteínas, observado nos dias de hoje, leva a um crescente egoísmo, suscitando cada vez mais qualidades negativas na alma (Burkhard, 2009).

A Nutrição Antroposófica propõe um olhar para os ritmos nos intervalos entre as refeições, tipos de alimentos a serem ingeridos nos diferentes momentos do dia, a sazonalidade no cultivo dos alimentos, as necessidades nutricionais de cada etapa da vida (Azevedo, 2012), observando o processo de digestão, absorção e metabolismo neste contexto mais integrado.

Dentre outros conceitos da MA, que observam o individuo de forma mais integrada está o da tetramembração, que observa o ser humano como sendo constituído de corpo físico, corpo vital, alma e espirito, fazendo com que seja necessário adequar o consumo alimentar em todos estes aspectos (Coury, Silva, Azevedo, 2007).

Os temperamentos humanos (colérico, fleumático, melancólico, sanguíneo) também são levados em consideração para estabelecer o planejamento de um cardápio nesta abordagem, levando em conta que características pessoais influenciam a composição corporal, o apetite e os tipos de alimentos que seriam benéficos para cada paciente (Ilbery, 2000).

Referências

Azevedo, E. Fundamentos da Nutrição Antroposófica. Cadernos de Naturologia e Terapias Complementares 2012; 1(1): 51-60 Dourados(MS)

Burkhard G. Novos Caminhos de Alimentação – Alimentação em diferentes situações de vida e idades (cardápios e dietas). 5ª ed São Paulo: Editora Antroposófica, 2009.

Coury, ST, Silva, DL, Azevedo, E. Perspectivas históricas sobre a arte e a ciência da cura. In:Silva, SMCS, Mura, JDP .Tratado de Alimentação, Nutrição &Dietoterapia. 1 ed. São Paulo: Roca, 2007. Cap 64. p. 991-1035