A Nutrição Integrativa vem para refletir novas formas de pensar, incluindo outras áreas ainda não estudadas para se somarem às teorias e conceitos da nutrição convencional e, resgatar conhecimentos milenares de diversos povos e culturas admitindo novas interpretações do papel e efeito do alimento na vida do ser humano em todas as suas dimensões.

Debruça-se nas medicinas milenares, tais como, Medicina Ayurvédica, Medicina Tradicional Chinesa, Medicina Indígena e em outras nem tão antigas, como a Medicina Antroposófica, para explicar que é preciso “olhar para dentro”.

Essas medicinas não convencionais entendem o ser humano com múltiplas dimensões, principalmente a espiritual e, colocam a alimento como sendo a base e o essencial em qualquer tratamento de saúde. É urgente um novo olhar, já que apesar do avanço tecnológico, da descoberta do genoma humano, da nutrigenética, da nutrigenômica, dos nutraceuticos, o ser humano continua aumentando seu índice de doenças e, somente recentemente a palavra comida está sendo resgatada.

A frase de Hipócrates “Faz do alimento o teu medicamento” nunca foi tão atual.

Loureiro (2004) descreve que a alimentação, sendo considerada um fator vital e uma fonte de prazer de partilha é muito mais do que apenas nutrientes: tem um significado muito próprio para cada pessoa e ou grupo, constituindo um traço de identidade.

Valente (2002) apud Santelle, 2008 defende que a alimentação é uma das principais determinantes da saúde e traduz as condições de vida de cada um, o contexto em que se move a cultura que perfilha. Ao alimentar-se, o indivíduo, além de atender as necessidades nutricionais, também se constrói e se potencializa como ser humano em suas dimensões orgânicas, intelectuais, psicológicas e espirituais. Assim, diferentes hábitos são desenvolvidos a partir de práticas e relações sociais, que se desenvolvem conforme tradições e crenças de um povo.

Para a Nutrição Integrativa as crenças, pensamentos e sentimentos e atitudes sobre a comida são tão ou mais importantes do que, simplesmente o que se come.

Encontra por meio dos Cuidados Integrativos formas de facilitar a cada indivíduo o encontro consigo mesmo, sua essência, o porquê deve cuidar de sua saúde, qual o papel da alimentação em sua vida, como ferramenta de “cura”, de ligação com a vida, com o outro, com o cosmos.

A alimentação é uma escolha e deve ser um ato consciente, visando saúde e bem estar. Não comemos apenas quantidades de nutrientes e calorias para manter o funcionamento corporal em nível adequado, pois há muito tempo os antropólogos afirmam que o comer envolve seleção, escolhas, ocasiões e rituais, imbrica-se com a sociabilidade, com ideias e significados, com as interpretações de experiências e situações.

Para serem comidos, ou comestíveis, os alimentos precisam ser elegíveis, preferidos, selecionados e preparados ou processados pela culinária, e tudo isso é matéria cultural (CANESQUI; GARCIA, 2005).

Referências

CANESQUI, A.M., GARCIA, R.D.W. Antropologia e Nutrição: um diálogo possível. 20 ed. Rio de Janeiro: Fiocruz; 2005.

LOUREIRO, I. A importância da educação alimentar: o papel das escolas promotoras de saúde. Rev. Port. de Saúde Pública, v. 22, n. 2, p. 43-55, 2004.

VALENTE apud SANTELLE O. Antropologia e Alimentação. [Editorial]. Saúde Coletiva. v.5, n.26, p.231, jan/fev., 2008.